
20051227
Estou vendo uma montanhazinha de bulas de remédio e papéis metálicos se misturando à caixinha do termômetro, se formarem aqui na mesa.
E também estou pensando naquela velha história de três cobertores, Afrin e cama; mas o Afrin me parece tão distante na escrivaninha do meu pai, que prefiro tentar ficar acordada mais um pouco; problema nenhum. Só os braços que insistem em ficar gelados e a nítida impressão de que se eu chacoalhar a cabeça vai sair tudo do lugar. Também há a...
Ai.
20051225
O problema não está no que eu sinto, ou no que eu faço. Mas no que eu espero que os outros sintam, e que os outros façam.
20051222
*chamando*
- Oi Herbi, é a Lari. O Vini tá aí?
- Tá sim.
(...)
- E... será que eu posso falar com ele?
- Pode.
(...)
- E... o que você acha de chamar então?
- Acho bom.
20051220
Acordei chorando. E agora minhas racionalizações estão tomando conta do quarto, consolos já não surtem o mesmo efeito de antigamente; são piores. E estão indo para o lugar errado.
Já perdi a sensatez e caminho tombando e tremendo e caindo sobre esses postes tortos, sob a sinfonia de tiros. Nas ruas, as poucas pessoas também caindo e as outras poucas já não podem nem mais fugir. Ratos gigantes agora são super inteligentes, o futuro está numa caixinha se equilibrando; não passa de um sonho.
Saio correndo, me tranco em um quarto a procura do meu próprio futuro, conheço os destinos desconhecidos. Tenho mais medo da minha caixinha do que dos traficantes que invadem minha casa e destroem minha família.
Lá fora, um raio corta o céu e causa um incêndio, queima montanhas, as casas caem, as ruas quebram; sobram amantes, falsas lésbicas, assaltantes.
Olho pra baixo, apoio a cabeça nos joelhos e choro baixinho, começo a me conformar com a perda. Quando tudo acabar, já fui pega pela mentira; não passa de um sonho.
E ainda são três e meia.
20051218
Como passou, aperte a minha mão, me diga seu nome, as coisas como vão?
20051216
Sabe, às vezes penso mesmo que dizer "deixa pra lá" cansa menos.
(e você?)
Agora deixa eu contar que estou na fase da negação. Que fugir não está sendo legal. Que está abrindo espaço pra criar fantasmas que não precisam estar lá, e situações mal resolvidas. Às vezes eu tenho impressão de estar entrando em espaço que não me pertence.
Estou começando a instigar a partir de agora. Eu não acredito em romance, em amor eterno. E contrapondo. Se acabar então, foi tudo horrível e desperdiçado? E a fidelidade é a prova sagrada de que ali estão duas almas gêmeas e que serão felizes para sempre; em um mundo paralelo sem problemas e sem questionamentos?
Sabe a cena em Alta Fidelidade quando o Rob pede a Laura em casamento e ele explica que ela é real e consequentemente todos os problemas também são, e que as outras são só fantasias e problemas engraçadinhos? E que ele se satisfaz com ela?
Eu concordo.